Iº Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas – EU FUI #blogprog. Nada mais apropriado do que um post sobre as implicações da democratização do acesso, produção e divulgação da informação.
A Pauta foi coincidentemente facilitada pelo 8º Congresso brasileiro de Jornais, organizado pela Associação Brasileira de Jornais, realizado no dia 19 de agosto, no qual foram dadas preciosas declarações do sociólogo preferido da grande mídia na atualidade, Demétrio Magnoli, e do candidato oposicionista, José “orkut” Serra.
A organização presidida pela Sra. Judith Brito – a mesma que declarou que, frente à fragilidade da oposição, os jornais deveriam assumir o papel oposicionista – grande merecedora do prêmio Corvo do #blogprog, e seus principais expoentes lançaram mão de insinuações já manjadas comparando o já provável governo Dilma com os governos mais radicais da América do Sul. A propósito, escrevi em um post antigo que a mídia caminhava para a radicalização do debate político, numa atitude perigosa para o país.
Dois depoimentos publicados em reportagem do Valor no dia 20. O primeiro, do paladino sociólogo, defendendo que os jornais impressos são mais importantes do que nunca, porque 1) impedem a desconstrução da opinião pública pelos milhões de palanques de debates criados pela internet e 2) têm um credibilidade maior associada ao valor, ao dinheiro que é preciso para publicá-los.
Alguns contra-argumentos: o dinheiro serve para desconstruir reputações, contratar versões. Não significa qualidade nem credibilidade. E a ideia de que os milhares de blogueiros que espalham suas opiniões na rede não o fazem de forma consubstanciada é equivocada. Muitos deles, como eu, são amadores, e também arcam com custos, no mínimo o dispêndio de parte do seu tempo, para publicar suas análises. O esforço desses blogueiros sujos valem mais do que o dinheiro sujo e interesses escusos por trás da velha imprensa.
O sociólogo não quer reconhecer também que a mídia, e particularmente a mídia impressa, não expressa a opinião pública. Num país em que apenas 4% da sua população consideram o governo Lula péssimo ou ruim, 4%, os jornais, diariamente, atacam o governo Lula como se fosse o pior dos males. A disseminação de versões que contestam a posição incansavelmente publicada na grande imprensa é um grande favor à formação da opinião pública. Ao menos, expressa vozes mais diversas.
Na mesma linha, o porta voz e candidato preferido da grande imprensa, José Serra, afirmou, na sua participação no encontro, que as grandes conferências organizada pelo governo Lula são uma maneira de cercear a liberdade de imprensa. Segunda Serra, uma via “democrática” de estabelecer o controle sobre a imprensa. Considero que a participação social é uma questão que ainda precisa ser aprofundada, discutida e melhor encaminhada no governo federal, mas reconheço nessas conferências um importante avanço. Não vejo contradição entre o fato de que tenhamos mais pessoas interessadas, produtoras e divulgadoras de conteúdo, com participação cidadã mais intensa, e a democracia. Ao contrário, reafirma a opção democrática do país.
Pelo contrário, acho que consolida o entendimento de que o Serra já entrou na fase do desespero, vendo que Dilma vai ganhar no primeiro turno.